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Angola quer acelerar electrificação do país e prevê exportar excedentes de energia
O Governo angolano definiu a electrificação do território como uma das principais prioridades do sector energético, numa altura em que cerca de metade da população do país continua sem acesso à electricidade.
A garantia foi dada pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, em entrevista à Televisão Pública de Angola (TPA), ontem, quinta-feira, dia 10, na qual sublinhou que o investimento público está a ser direccionado para responder às necessidades das populações e alargar o acesso à energia eléctrica.
“A prioridade é a electrificação do território exactamente porque temos metade dos angolanos sem acesso”, afirmou o governante, defendendo um reforço dos esforços para levar a electricidade às zonas que continuam excluídas da rede.
Investimento concentrado na expansão da rede
Segundo João Baptista Borges, o Executivo pretende utilizar o investimento público para reduzir o défice de acesso à electricidade e melhorar a cobertura do território.
“Todo o investimento público é dirigido para cobrir essas necessidades”, afirmou, acrescentando que o esforço do Governo está centrado na electrificação do país e no atendimento das necessidades das populações.
A expansão do acesso à electricidade constitui, assim, um dos principais desafios do sector energético angolano, num contexto em que o país procura simultaneamente aumentar a capacidade de produção e melhorar as infra-estruturas de transporte e distribuição.
Excedente de produção pode abrir espaço às exportações
Apesar do défice de acesso interno, Angola dispõe actualmente de capacidade de produção eléctrica superior às necessidades em determinados períodos, situação que o ministro considera poder ser transformada numa vantagem económica.
“O país tem de poder transformar o superávite de capacidade de produção que tem e pode atender outras necessidades não só do sector eléctrico como de outros sectores da vida social”, afirmou.
Neste quadro, o Governo admite reforçar as exportações de electricidade para os países vizinhos, aproveitando a capacidade disponível e atraindo investimento privado para a construção e operação das infra-estruturas necessárias.
De acordo com o ministro, este modelo permitiria que a expansão das linhas de transporte e das interligações regionais fosse assegurada pelo sector privado, criando novas oportunidades de negócio no mercado energético.
Interligações com Namíbia, Zâmbia e RDC
Entre os projectos previstos estão interligações eléctricas com a Namíbia, a Zâmbia e a República Democrática do Congo (RDC), que poderão permitir a Angola exportar energia quando dispuser de excedentes.
João Baptista Borges destacou, contudo, que estas ligações poderão funcionar nos dois sentidos. Ou seja, Angola poderá exportar electricidade quando tiver capacidade excedentária, mas também importar energia dos países vizinhos caso, no futuro, as necessidades internas ultrapassem a capacidade de produção disponível.
“Amanhã essas interligações que nós projectamos para a Namíbia, para a Zâmbia e para a República Democrática do Congo podem ser uma estrada também em sentido contrário”, explicou.
O ministro considera que esta possibilidade permitirá criar maior segurança e flexibilidade no fornecimento regional de energia, evitando que os países dependam exclusivamente da sua capacidade nacional de produção.
Integração dos mercados energéticos
A estratégia enquadra-se num processo mais amplo de integração dos sistemas eléctricos da África Central e Austral, através da criação de mercados regionais de energia.
“Nós estamos na África Central e na África Austral, essas ‘pools’ energéticas vão então funcionar com base nessa exportação e importação de energia”, afirmou João Baptista Borges.
A aposta nas interligações regionais poderá, desta forma, permitir uma utilização mais eficiente da capacidade instalada, ao mesmo tempo que cria condições para o comércio transfronteiriço de electricidade.
Para Angola, o desafio passa por conciliar duas prioridades: acelerar a electrificação interna, garantindo que uma maior parcela da população tenha acesso à energia, e aproveitar a capacidade excedentária existente para gerar receitas e reforçar a integração energética com os países da região.
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