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Angola mantém superavit comercial, mas excedente encolhe 38,3% num mês
Os dados do INE indicam que as exportações de bens totalizaram AOA 2,72 biliões (US$ 2,98 mil milhões) em Junho de 2026, representando uma redução de AOA 712,5 mil milhões em termos absolutos face aos 3,43 biliões (US$ 3,76 mil milhões) registados em Maio do ano em curso, resultado que traduz uma contracção mensal de 20,77%. Ainda assim, em comparação com Junho de 2025, quando as vendas ao exterior ascenderam a AOA 2,29 biliões (US$ 2,51 mil milhões), o país registou um crescimento homólogo de 18,54%.
Em sentido contrário, as importações mantiveram a trajectória ascendente, alcançando AOA 1,56 biliões (US$ 1,71 mil milhões) em Junho de 2026. Em relação ao mês anterior, as compras ao exterior aumentaram AOA 8,5 mil milhões e, em termos absolutos, traduzindo-se numa expansão mensal de 0,55%. Na comparação homóloga, porém, o crescimento foi significativamente mais expressivo, com um acréscimo de AOA 474,3 mil milhões face aos AOA 1,08 biliões (1,18 mil milhões) importados em Junho de 2025, correspondente a um incremento de 43,82%.
A aceleração das importações, conjugada com a redução das exportações em termos mensais, pressionou os principais indicadores do comércio externo, reduzindo a margem entre as vendas e as compras ao exterior.
Como consequência desta evolução, a taxa de cobertura das importações pelas exportações deteriorou-se para 174,6% em Junho de 2026, depois de atingir 221,6% em Maio, embora permaneça acima do limiar de 100%, indicando que as receitas geradas pelas exportações continuaram suficientes para financiar integralmente as importações do período. Em termos homólogos, o indicador também registou uma diminuição, passando de 211,8% em Junho de 2025 para os actuais 174,6%. Este cenário indica que houve uma redução da capacidade relativa das exportações em suportar o ritmo de crescimento das compras externas.
China mantém liderança nas exportações angolanas
A China manteve-se, em Junho de 2026, como o principal destino das exportações angolanas, absorvendo AOA 1,08 biliões (US$ 1,18 mil milhões) em bens, o equivalente a 39,75% de todas as vendas externas realizadas pelo país. Apesar da liderança destacada, as exportações para o mercado chinês recuaram 35,56% face a Maio, quando atingiram AOA 1,68 biliões (US$ 1,84 mil milhões). Ainda assim, na comparação anual, isto é, com Junho de 2025, registaram um crescimento de 50,76%, um sinal claro de reforço à posição do país asiático como o maior parceiro comercial de Angola no lado das exportações.
A Índia consolidou-se como o segundo maior destino das exportações nacionais, com compras avaliadas em AOA 246,3 mil milhões (US$ 269,90 milhões), representando 9,06% do total exportado. No entanto, as vendas para este mercado diminuíram 42,75% entre Maio e Junho de 2026, embora tenham crescido 56,25% em comparação com Junho de 2025.
Do lado das importações, a China conservou, igualmente, a posição de principal fornecedor de bens a Angola, com exportações para o mercado angolano avaliadas em AOA 319,9 mil milhões (US$ 350,55 milhões), correspondendo a 20,55% do total importado nos primeiros seis meses de 2026. Face a Maio, as compras provenientes da China cresceram 32,73%, enquanto, em relação ao mesmo período do ano anterior, aumentaram 18,28%.
Os Estados Unidos da América (EUA) surgiram como o segundo maior fornecedor, com bens no valor de AOA 130,7 mil milhões (US$ 143,22 milhões), correspondentes a 8,39% das importações totais. O desempenho representa um crescimento mensal de 26,29% e uma expressiva expansão homóloga de 283,56%.
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