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Angola entre os países africanos mais penalizados pelas novas tarifas comerciais dos Estados Unidos
Washington impõe taxa adicional de 12,5% às exportações angolanas — a mais elevada aplicada pelos EUA neste pacote —, sob justificação de combate ao trabalho forçado
Angola faz parte do grupo de países africanos afectados pelas novas tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos, que aplicaram taxas adicionais de até 12,5% sobre exportações destinadas ao mercado norte-americano. Segundo dados avançados pela imprensa económica angolana, a taxa de 12,5% imposta a Angola é a mais elevada atribuída pela administração de Donald Trump neste pacote de medidas, colocando o país entre os mais penalizados do continente.
A medida integra um pacote de novas tarifas entre 10% e 12,5% imposto pelos Estados Unidos a cerca de 60 economias, incluindo países como Brasil, China e Índia, sob a justificação de que os países abrangidos não adoptaram medidas suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com recurso ao trabalho forçado. A decisão, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), baseia-se na Secção 301 da Lei de Comércio norte-americana e visa penalizar países por falhas na fiscalização e na proibição de bens produzidos nessas condições.
Petróleo, diamantes e produtos agrícolas no centro do comércio bilateral
As novas taxas entraram em vigor na madrugada desta sexta-feira, coincidindo com o fim das tarifas provisórias de 10% estabelecidas pela administração Trump, depois de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter anulado, em Fevereiro, medidas tarifárias mais abrangentes anteriormente anunciadas — as chamadas “tarifas do Dia da Libertação”, impostas a vários países em Abril de 2025.
Segundo dados do sector, Angola exportou no ano passado cerca de 889 milhões de dólares para os Estados Unidos, um valor composto sobretudo por petróleo, mas também por diamantes, minerais e maquinaria. Mais recentemente, o país começou também a exportar produtos alimentares e agrícolas para o mercado norte-americano, ao abrigo da Lei de Crescimento e Oportunidades para a África (AGOA) — entre os quais fuba de bombo e de milho, catato, kisaca cozida, cogumelos e manteiga de amendoim.
Apesar do volume relativamente modesto das exportações directas para os Estados Unidos — face aos mais de 39 mil milhões de dólares exportados por Angola para o mundo em 2023, segundo dados das Nações Unidas, com a China a absorver a maior fatia —, analistas têm alertado que o impacto das tarifas norte-americanas para a economia angolana poderá ir além do comércio bilateral directo. O receio está sobretudo ligado aos efeitos indirectos que a política tarifária de Trump pode ter sobre os preços internacionais do petróleo e dos diamantes — dois produtos particularmente sensíveis à instabilidade nos mercados globais e determinantes para as receitas do Estado angolano.
Outros países africanos também penalizados
Além de Angola, outros países africanos, incluindo a África do Sul, foram atingidos pela decisão, que já provocou reacçõesnegativas de vários governos, preocupados com possíveis impactos no comércio internacional e nas relações económicas bilaterais.
Alguns países afectados contestaram publicamente a medida. O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, classificou a tarifa aplicada ao seu país como “extremamente decepcionante”, considerando-a injustificada e prejudicial às relações comerciais entre os dois países.
Novo capítulo de uma política tarifária instável
A decisão norte-americana surge depois de mais de um ano de sucessivas alterações na política comercial da administração Trump, marcada por avanços, recuos e contestação judicial. Angola já tinha sido identificada, em análises anteriores, como um dos países mais expostos aos efeitos indirectos das tarifas norte-americanas — não tanto pelo volume das suas exportações directas para os Estados Unidos, mas pelo impacto que a instabilidade tarifária tem tido em mercados internacionais críticos para a economia angolana, como o petróleo e os diamantes, cujos preços têm sofrido oscilações associadas às tensões comerciais globais.
A imposição desta nova tarifa de 12,5% sobre as exportações angolanas poderá aumentar os custos de entrada dos produtos nacionais no mercado norte-americano e gerar novos debates sobre as regras do comércio global, num momento em que Angola procura diversificar as suas exportações e reduzir a dependência histórica do petróleo como principal fonte de receitas externas.
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