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Angola assume papel estratégico após escassez de combustível obrigar voos da Namíbia para a Europa a fazer escala em Luanda

Angola assume papel estratégico após escassez de combustível obrigar voos da Namíbia para a Europa a fazer escala em Luanda

A perturbação ocorreu depois de um carregamento de combustível importado ter sido rejeitado no porto de Walvis Bay, por não ter passado nos testes de qualidade de rotina, segundo declarações da Discover Airlines, da fornecedora de combustível Vivo Energy Namibia e da Namibia Airports Company, adianta a publicação online ‘Business Insider Africa’. A Discover fez saber que as aeronaves que fazem as ligações entre Windhoek e Frankfurt e Munique estavam a ser desviadas através de Angola para abastecerem antes de prosseguirem viagem para a Europa. Um voo foi afectado na quarta-feira e outro na quinta-feira (ontem). A companhia aérea opera dez voos por semana entre a Namíbia e as duas cidades alemãs, sendo uma das mais importantes ligações aéreas directas do país com a Europa. Até ontem, quinta-feira, dia 20, não tinham sido anunciados cancelamentos generalizados. No entanto, a escala adicional em Angola poderá prolongar os tempos de viagem, aumentar os custos operacionais da companhia aérea e afectar passageiros com ligações para outros destinos. “O Grupo Lufthansa enfrenta actualmente uma escassez local e temporária de combustível junto dos seus fornecedores no aeroporto de Windhoek”, afirmou um porta-voz do grupo aéreo. Combustível importado falha testes de qualidade A Vivo Energy Namibia, subsidiária do grupo mundial de comércio de energia Vitol, afirmou que a escassez começou depois de um carregamento de combustível entregue através de Walvis Bay ter falhado os testes de qualidade exigidos. O produto afectado foi colocado em quarentena antes de entrar no sistema de distribuição. A Vivo Energy disse estar a trabalhar para obter fornecimentos alternativos, enquanto investiga a causa do problema com outras entidades. A empresa não indicou uma data para a chegada do combustível de substituição. A Namibia Airports Company confirmou que o Aeroporto Internacional Hosea Kutako estava a enfrentar dificuldades no abastecimento de combustível Jet A-1. A empresa afirmou que estavam a ser desenvolvidos esforços para limitar os impactos sobre as companhias aéreas. Não se acredita que o incidente tenha sido directamente causado pelo actual conflito envolvendo o Irão, apesar da pressão que a guerra tem exercido sobre os preços internacionais da energia e as rotas de transporte marítimo. Em Maio, a Namíbia concedeu à Vitol um acordo de exclusividade, por três meses, para o fornecimento de combustível ao país, numa altura em que o Governo procurava limitar a volatilidade dos preços e proteger os abastecimentos internos. A actual perturbação resultou, contudo, de um problema de qualidade do produto que afectou um carregamento específico. Operações de carga também em risco A escassez poderá igualmente afectar o transporte de mercadorias por via aérea entre a Namíbia e a Europa. A Lufthansa afirmou que os carregamentos de carga poderão sofrer perturbações. O partido da oposição Independent Patriots for Change disse que a Lufthansa Cargo tinha informado os seus clientes de que não poderia transportar carga a partir de Windhoek pelo menos até 23 de Agosto. Até ao momento da publicação, a Lufthansa Cargo não tinha confirmado publicamente uma suspensão total das operações. Qualquer restrição prolongada afectaria empresas que dependem do transporte aéreo para exportações urgentes ou de elevado valor. A Namíbia exporta produtos como peixe fresco, carne e produtos agrícolas, alguns dos quais exigem transporte rápido e com controlo de temperatura. Frankfurt oferece também ligações à rede de carga da Lufthansa na Europa e a outros destinos internacionais. Um revés para o crescimento das ligações com a Europa A escassez surge numa altura em que as companhias aéreas estão a expandir as ligações directas entre a Namíbia e a Europa. A Discover Airlines liga actualmente Windhoek a Frankfurt e Munique. Em Junho, a companhia anunciou que aumentará a frequência da ligação Munique-Windhoek para cinco voos semanais durante todo o ano, a partir de Abril de 2027. A companhia aérea de lazer do Grupo Lufthansa planeia também introduzir gradualmente aeronaves Airbus A350 a partir de 2027, estando Windhoek entre as rotas onde estes aviões poderão ser utilizados. A companhia suíça Edelweiss iniciou, em Junho de 2026, voos directos entre Zurique e Windhoek, proporcionando mais uma ligação europeia à África Austral. Estas ligações são particularmente importantes para a indústria turística da Namíbia. Os visitantes europeus representam uma parcela significativa do mercado das reservas de vida selvagem, dos atractivos desérticos e dos destinos costeiros do país. Perturbações recorrentes relacionadas com o abastecimento de combustível poderão afectar a fiabilidade destas rotas, sobretudo se as companhias aéreas forem obrigadas a transportar combustível adicional, efectuar escalas técnicas ou reduzir a capacidade de carga. Dependência da Namíbia das importações de combustível O incidente evidencia a diferença entre o crescente protagonismo da Namíbia como destino da exploração petrolífera e a actual dependência do país das importações de produtos petrolíferos refinados. Grandes empresas internacionais de energia realizaram importantes descobertas de petróleo ao largo da costa do país, aumentando as expectativas de que a Namíbia possa tornar-se produtora de petróleo até ao final da década. A produção comercial ainda não começou, contudo, e o país continua a importar o combustível refinado utilizado pelos automobilistas, empresas e companhias aéreas. A Namíbia consome cerca de 100 milhões de litros de gasolina e gasóleo por mês, segundo dados citados pela Reuters. O Governo já tinha adoptado medidas para proteger os abastecimentos na sequência da volatilidade registada nos mercados mundiais de energia. Em Maio, o Ministério das Indústrias, Minas e Energia aumentou os preços dos combustíveis, mas afirmou que o Fundo Nacional de Energia iria absorver cerca de 805 milhões de dólares namibianos em custos remanescentes e prémios de combustível. O Governo também restringiu temporariamente o enchimento de bidões e outros recipientes, numa tentativa de desencorajar a constituição de reservas excessivas. A escassez no sector da aviação é particularmente relevante porque a Namibia Airports Company afirmou, em Maio, que o país dispunha de capacidade suficiente de armazenamento de Jet A-1 para fazer face a limitações de abastecimento de curto prazo. A empresa acrescentou que os fornecedores de combustível dos aeroportos estavam contratualmente obrigados a manter reservas. O carregamento rejeitado demonstra, contudo, que a capacidade de armazenamento, por si só, não garante o abastecimento quando um produto importado não cumpre as normas de segurança ou de qualidade. Por enquanto, a decisão de abastecer em Angola permite à Discover Airlines manter as suas ligações com a Europa. A duração e o custo desta solução dependerão da rapidez com que a Vivo Energy conseguir assegurar combustível de substituição para a Namíbia.

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